Um trecho do clássico "Cristianismo Puro e Simples" de C.S Lewis. Junto com vários clipes da "Paixão de Cristo" de Mel Gibson.
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terça-feira, 14 de agosto de 2012
C.S. Lewis: Jesus: Deus, mentiroso ou um lunático?
Um trecho do clássico "Cristianismo Puro e Simples" de C.S Lewis. Junto com vários clipes da "Paixão de Cristo" de Mel Gibson.
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quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Por que é difícil praticar a piedade?
Por Ênio Caldeira Pinto
É muito comum em nossa caminhada cristã estabelecer fundamentos como sustentação para a prática da espiritualidade. Orar, ler a Palavra, cantar, exercer a misericórdia, entre outros são excelentes exemplos de como nos identificarmos como cristãos. Quero comentar sobre um fundamento que está sendo ignorado nos últimos anos. Falarei sobre a piedade.
A piedade é o compromisso que assumimos para cumpir os deveres perante os familiares (pais e parentes), a religião (Deus, igreja e irmandade) e o país (civismo, patriotismo e proteção ao país). Cumprir deveres denota o nível de piedade que exercemos pela devoção, pela misericórdia e pelo entendimento sobre a missão cristã no mundo.
Para mim, a piedade está conectada ao sentido integral do desenvolvimento de nossas vidas. Logo após a conversão, a vida ganha o estatus de "nova" (2Cor 5:17), de "sensatez" (bom senso) e de "justiça" (verdade e liberdade). A fé em Cristo patrocina o nosso entendimento e atitude acerca da prática da piedade. Ser piedoso é agir fielmente com o compromisso dos deveres, é ser consciente do ministério confiado, é ser soldado em combate.
Sendo a vida integralmente o exercício da piedade, logo temos que demostrar as virtudes. Isso acontece quando revelamos nosso grau de envolvimento e compromisso com o ministério redentivo de toda a criação. O fruto do Espírito (Gl 5:22) se torna uma realidade em nós porque reagimos aos vícios. É a piedade que fará o nosso testemunho ser a verdade de transformação integral (corpo, alma e espírito).
Deveria existir o ministério da piedade, aquele que avaliaria o rendimento de cada um de nós no cumprimento dos deveres. Deveria haver maior divulgação dos testemunhos alcançados no seio da comunidade: a família que se rende ao sentido da cruz, os membros que se engajam fielmente ao desafio de transformar a cidade e o país que se orgulha em diminuir a corrupção e injustiças.
O mundo deveria enxergar, em cada um de nós, o propósito do porquê sermos compassivos com a causa de Cristo. Compaixão é o grau máximo de nossa prática de piedade. A crise em exercer a missão é porque os cristãos mudaram o rumo de seus compromissos. Voltaram a defender a prosperidade porque sentem-se confortáveis com as benesses materiais. A atual teologia da prosperidade é a máscara da impiedade cristã, pois falsifica uma atitude gerada pela ganância de posses do que de socorro ao próximo. A piedade tem perdido espaço nos púlpitos e nas dinâmicas da vida cristã, está, inclusive, enclausurada nos modelos de espiritualidade placebos. Vida sem piedade é o mesmo que frasco sem perfume, cristão sem cruz e missão.
A cristologia é uma disciplina da teologia sistemática cujo conteúdo principal é descrever a vida e obra de Jesus Cristo. A finalidade maior desse estudo não é defender as máximas dos teólogos, mas, sim, gerar em nós a potencialidade de que a salvação é redentora. É o poder de transformar, a metanóia (arrependimento, conversão e testemunho) responsável pela nossa participação no reino de Deus. Cada atitude a ser feita é uma prova de que nosso caminho é o da piedade. Nossas ações revelam uma cristologia de verdade, de possibilidades e de potencialidades, enfim uma cristologia de piedade.
Vejo mais impiedade praticada nos círculos de líderes que se autodenominam "mensageiros de Deus" do que nos que se comprometem em ensinar sobre a vida de Cristo em nós. Cristo é o conteúdo da piedade. Sem ele não realizamos o trabalho, gastamos nossas fontes de energia. Sem ele não oramos, balbuciamos frases de efeito em voz audível. Sem ele não nos comprometemos ministerialmente, apenas nos inscrevemos em tarefas cotidianas. É, pois, em Cristo que a piedade se torna essencialmente espiritual, revela-nos os arcanos (mistério) do consolo, do conforto, da justiça, da confiança e da própria fé. A piedade originada em nós por meio de Cristo sempre nos fortalece a fazer mais do que devemos – faz-nos ministerialmente aprovados por Deus e pela sociedade. É a piedade que nos dá discernimento para decidir com sabedoria! É a liderança piedosa (influenciar pessoas) que promove a presença cristã na sociedade e não a administração pastoral (designar funções).
Ser piedoso é seguir a Cristo, seguir a Cristo é ser cidadão. Cada um de nós, nascido em solo brasileiro, faz-nos automaticamente cidadãos. Há os que se tornam brasileiros por meio de naturalizações ou residência permanente, entre outros. O fato é que nós não temos um território que nos faz cidadãos de Cristo, a não ser o da representação imaginária (Fp 3:20a). Então nossa piedade cristã precisa ser entendida como o exercício de cidadania (Fp 1:27), ou seja, o ministério de ser piedoso na cidade. Sendo assim, entendo que o Brasil precisa de cristãos piedosos, ou melhor de cristãos que exerçam a cidadania piedosa. Então, poderemos pensar em ter uma cidade melhor.
Infelizmente, ouço pregações de líderes desmerecendo o exercício de cidadania piedosa, porque afirmam "aqui não é o nosso mundo". Eles podem estar sofrendo de um lapso hermenêutico, pois qualquer prática do presente é que fará o reino do porvir. Falta-nos, então, a educação redentora para que nossa espiritualidade seja integralmente piedosa. É por isso que advogo uma formação teológica pastoral mais verossímil que dá sentido ao futuro da igreja. Pastorear é tornar o mundo a paróquia, parafraseando John Wesley, mas "pastar" é consumir a relva de nossas igrejas e torná-las infrutíferas. Precisamos investir em um outro tipo de formação pastoral, tipo a que dá valor ao cumprimento dos deveres. Precisamos formar pastores piedosos. Acredito que na escolha de um líder para pastorear uma comunidade, deve-se exigir a piedade como requisito de contratação. É como se o pastor fosse vocacionado ao exercício da piedade. Na verdade, o ministério cristão é uma vocação à prática piedosa e, nesse sentido, exercer a cidadania é ser vocacionado também.
Para responder à pergunta "Por que é difícil praticar a piedade?", respondo: é difícil porque, infelizmente, voltamos à prática dos resultados sem a devida crítica. Julgamos o crescimento da igreja (que não tem acontecido) como ação do Espírito, mas não aceitamos que esse inchaço é decorrente da pesca em aquário alheio. Condenamos os políticos envolvidos em corrupção, mas ignoramos líderes evangélicos envolvidos em escandâlos também políticos. Falamos de pastores "ludibriadores", mas não adotamos nenhuma exigência para a formação integral do pastor e nem aplicamos em sua educação teológica. Falamos da precariedade da saúde pública, mas corremos a ela quando não temos planos de saúde particular. O fato é que não cumprimos com o dever de ser missionário na família, na igreja e na cidade. Não estamos exercendo a piedade. Minha esperança é a seguinte:
"Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras (Tito 2:11-14)".
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segunda-feira, 30 de julho de 2012
Soren Kierkegaard - Deus Pai
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terça-feira, 1 de maio de 2012
Oração ao Deus de amor - Soren Kierkegaard
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quinta-feira, 19 de abril de 2012
Genealogia da crueldade
Por Israel Belo Azevedo
Por que somos cruéis?
(Desculpe-me, se você não é.)
Somos cruéis quando, escravos da autossuficiência, ignoramos (melhor: desprezamos) os estilos dos outros.
Somos cruéis quando permitimos que a amargura controle a nossa agenda.
Somos cruéis quando olhamos o outro como o responsável por nosso fracasso.
Somos cruéis quando achamos que precisamos retribuir hoje o que nos fizeram ontem.
Podemos ser cruéis com requintes metodológicos variados, que vão desde uma palavra colocada no alvo certo a um empurrão que não permite defesa.
Podemos ser cruéis sob os disfarces imperceptíveis do riso ou da indiferença.
Podemos ser cruéis em nome de Deus.
Israel Belo de Azevedo no Prazer da Palavra
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terça-feira, 17 de abril de 2012
Espiritualidade e Legalismo
Por Fábio Bauab
Esta breve reflexão é, na verdade, uma carta resposta a um leitor do site. Algum tempo atrás eu recebi um e-mail de um leitor que me fez duas perguntas: Qual é a essência da espiritualidade cristã? Porque o ser humano é tão atraído pelo legalismo? Confesso que estes questionamentos estiveram dentro de mim por muito tempo e só foram expurgados a partir do momento que entendi a proposta de Jesus.
Se o modelo proposto por Jesus é verdadeiro (e eu creio que sim), então a essência da espiritualidade cristã é o Amor. Todas as ações e ensinamentos de Jesus estão baseados no amor. Da encarnação à crucificação tudo é realizado com base no Amor.
Infelizmente o ser humano tem um grande defeito: copiar a forma e esquecer-se do princípio. Assim, copiamos a forma apresentada por Jesus e esquecemos o princípio por ele ensinado.
Veja bem, ensinamos as pessoas a orar, ler a bíblia e até jejuar (forma), mas nem sempre ensinamos que elas devem ser realizadas com base no Amor. As pessoas oram porque querem mais poder, jejuam porque querem mais unção, leem a bíblia porque é dever de todo cristão (fazemos até concurso de leitura anual). Mas, a motivação nem sempre (para não generalizar) é o Amor sincero que não espera nada em troca.
O Amor verdadeiro nos leva a praticar a justiça, a caridade ou as disciplinas espirituais não porque esperamos algo em troca, mas sim, porque este Amor já produziu em nós marcas profundas. Tão profundas que não conseguimos viver sem expressar este amor àqueles que estão próximos de nós.
Amor é isto, um dom dado por Deus para produzir no ser humano marcas profundas. Ele é para ser dado e recebido. É para ser vivenciado e não teorizado.
Fora do Amor caímos no legalismo. Praticamos todas as disciplinas espirituais porque elas nos dão a segurança de que estamos realizando coisas boas, estamos em paz com Deus.
Esta é a razão porque as pessoas preferem o legalismo: segurança. Sentem-se seguros acerca do seu relacionamento com Deus. Acredito que são pessoas sinceras, tementes a Deus mas que não conseguem viver na liberdade do Espírito promovida pelo Amor.
Paulo trabalhou este tema quando escreveu aos crentes da Galácia: “Cristo nos libertou para que sejamos realmente livres” (Gl 5:1). Fomos gerados nova criatura em Cristo Jesus para a liberdade.
Fraternalmente
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segunda-feira, 9 de abril de 2012
O amanhecer de um novo dia para a humanidade
Por Hermes Fernandes
Jesus introduz uma perspectiva revolucionária capaz de sacudir os alicerces sobre os quais nossa sociedade foi erigida. Ele substitui o antigo mandamento do amor por um novo e subversivo mandamento, onde a referência já não é o amor próprio, mas o amor de Cristo.
O amor próprio nos serviu como uma vela acesa durante uma noite longa e escura. Mas com o raiar do dia, já não faz sentido manter a vela acesa.
É sobre isso que João fala em sua primeira epístola:
“Amados, não vos escrevo novo, mas um mandamento antigo, que desde o princípio tivestes. Este mandamento antigo é a palavra que ouvistes. Contudo vos escrevo novo mandamento, que é verdadeiro nele e em vós, porque as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz” (1 Jo.2:7-8).
O que João diz aqui pode parecer contraditório. Afinal de contas, trata-se de um ‘novo’ ou um ‘antigo’ mandamento? Veja, o mandamento é o mesmo: amar ao próximo. Entretanto, o referencial é que mudou. Em vez de amá-lo como a si mesmo, deve-se amá-lo como Jesus nos amou.
A chegada do novo dia faz desnecessária outra referência de amor que não seja aquela demonstrada na Cruz. Qualquer outra referência é ofuscada pela a maior e mais contundente prova de amor de que se tem notícia. E é este amor que nos constrange para que deixemos de viver para nós mesmos, e vivamos em função d’Ele e do bem-estar dos nossos semelhantes. Paulo diz que “o amor de Cristo nos constrange (...) E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si” (2 Co.5:14a,15a).
Diferente da luz proporcionada pela vela, que alumia apenas em um pequeno raio, a luz solar é capaz de dissipar todas as trevas, tornando noite em dia.
Quando arrebatados do império das trevas para o reino do Filho do Amor de Deus, somos batizados, imersos em Seu amor. No dizer de Paulo, “o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm.5:5). É um caminho sem volta. O sol que acaba de nascer, jamais se porá novamente. Deixamos de viver para nós mesmos, para viver em função do objeto amado, nesse caso, Deus e nossos semelhantes.
O amor próprio deve ser dissipado. O vento do Espírito deve apagá-lo, para que em seu lugar possa arder o genuíno amor de Deus.
Ora, se deixamos de nos amar, por que razão deveríamos cuidar de nossa saúde, aparência, finanças e tudo o que diz respeito ao nosso bem-estar particular? Será que deveríamos nos tornar pessoas relaxadas? Isso glorificaria a Deus? Não! Absolutamente. Só que agora, nossas motivações são outras.
Deixar de amar a si mesmo para amar a Deus e a seus semelhantes não significa deixar de viver, ou mesmo preferir morrer. O que nos motiva agora é a busca pela glória de Deus e pelo bem comum.
Vejamos o exemplo de Paulo, registrado em sua carta aos Filipenses:
“A minha ardente expectativa e esperança é de em nada ser confundido, mas ter muita coragem para que agora e sempre, Cristo seja engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Pois para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp.1:20-21).
Repare nisso: a única coisa de que Paulo fazia a mais absoluta questão era que Cristo fosse engrandecido através dele, não importava se pela sua vida ou pela sua morte. Paulo não temia a morte. Ela tinha consciência de que a deixar este mundo era lucro.
Ora, se morrer é lucro, por que não devemos todos desejar a morte? Porque não buscamos por lucro. Viver em função daquilo que nos é vantajoso é guiar-se pelo amor próprio, e não pelo amor à Deus e aos nossos semelhantes.
Paulo prossegue em seu raciocínio:
“Mas, se o viver na carne trouxer fruto para a minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; mas julgo mais necessário, POR AMOR DE VÓS, permanecer na carne. E, tendo esta confiança, sei que ficarei, e permanecerei com todos vós para o vosso progresso e gozo na fé” (Fp.1:22-25).
À luz desta perspectiva, podemos concluir que todo bem que procuramos para nós mesmos, deve ser motivado pelo bem que isso vá causar aos nossos semelhantes.
Por exemplo: sou pai de três lindos filhos. Eu poderia pensar: se não devo amar a minha própria vida, então, por que não posso fumar? Que mal haveria nisso? Isso apressaria minha passagem para o mundo porvir. Porém, pensando assim, eu estaria me suicidando à prestações, e dando um péssimo exemplos aos meus filhos a quem devo amar incondicionalmente. Portanto, é por amor a eles que devo me cuidar. Eles precisam de mim por muito tempo nesta vida.
Se pretendo ficar muito tempo neste mundo, para poder servir aos meus semelhantes, devo me cuidar, praticar exercícios, alimentar-me bem, abandonar qualquer vício prejudicial à saúde, etc.
E quanto à busca por estabilidade financeira? Haveria alguma justificativa plausível à parte do amor próprio? Óbvio que sim! É Paulo quem de novo nos oferece uma razão em linha com o novo mandamento:
“Aquele que furtava, não furte mais, antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o necessitado”(Ef.4:28).
Eis a razão porque devemos trabalhar e buscar estabilidade financeira: ter o que repartir com quem precisa. Não é pecado ser rico. Pecado é fazer da riqueza um fim em si mesmo. Lembre-se que “o amor do dinheiro é a raiz de todos os males” (1 Tm.6:10a). As coisas estão aí para serem usadas, e não amadas. As pessoas que devem ser amadas! Usemos as coisas para beneficiar as pessoas, e não usemos as pessoas para adquirir as coisas.
Vale aqui a advertência paulina:
“Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as cosias para delas gozarmos; que façam o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir, que acumulem para si mesmos um bom fundamento para o futuro” (1 Tm.6:17-19a).
Se quisermos garantir um futuro promissor para nós e para o resto da humanidade, temos que mudar nosso paradigma, apagar a vela do amor próprio, e receber com gratidão o raiar do Sol da Justiça e do Amor trazendo o nov
Embora novo dia já tenha raiado, estamos aguardando o momento em que ele atingirá o seu apogeu, o que costumo chama de meio-dia profético, quando já não haverá mais sombras.
Urge despertarmos do nosso sono indolente e aprendermos a praticar o novo mandamento do amor. Não basta dizer que ama, tem que expressar esse amor em gestos e atitudes. Temos que aprender a repartir nosso pão, a viver em função do nosso semelhante, e não em função de nosso aprazimento pessoal.
Trata-se da prática do jejum prescrito em Isaías 58. Quando repartirmos nosso pão com o faminto, recolhermos em casa os sem-teto, vestirmos o nu, e deixarmos de nos esconder do nosso próximo, cumprir-se-á a promessa: “Então romperá a tua luz como a alva (...) se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita, então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia” (Is.58:8a,10).
O novo dia começou na Cruz, com a maior demonstração de amor de todas as Eras. A Igreja Primitiva vivenciou, durante o tempo de tribulação, a madrugada do novo dia, quando Jesus lhes parecia como a Estrela da Manhã. Somos convidados a vivenciar a alvorada desse Dia chamado Hoje, e aguardar pelo momento em que o Sol se posicionará no centro do Céu, dissipando as sombras, e trazendo avaliação e juízo a todas as obras. Quando isso se der, não apenas nossas obras serão julgadas, mas também as motivações que as produziram.
Hermes Fernandes no Cristianismo Subversivo
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segunda-feira, 2 de abril de 2012
E se sua vida fosse um filme?
Por Hermes Fernandes
Devo confessar: Sou um cinéfilo. A sétima arte me fascina. Enquanto assisto a um bom filme, sinto-me como se deixasse o cronos, e adentrasse outra esfera temporal. Aprendi a admirar um bom filme pela fotografia, pela direção, pela atuação dos seus protagonistas, pelos efeitos especiais, pela trilha sonora, mas principalmente, pelo roteiro.
Sou bem eclético. Não importa qual seja o gênero do filme, desde que não seja cheio de clichês. Gosto de filmes de comédia, drama, épicos, ficção científica, mas os que mais me fascinam são os de suspense. Gosto de sentir a adrenalina que acompanha a expectativa pelo inusitado.
Quando adentro a sala de projeção, quero ser surpreendido por um roteiro inovador. Aquela velha fórmula do mocinho que aparece pra salvar a mocinha não funciona pra mim. Nada é mais entediante do que um roteiro previsível. O filme pode ter uma direção impecável, com atores extraordinários, mas se for recheado de clichês, eu acabo dormindo. Nem pipoca me mantém acordado.
Lembro quando assisti ao último filme do Batman, e saí da sala comentando com meu filho: Isso é que é filme! Quase que em cada tomada havia uma surpresa. Nada acontecia como previsto. Foi de perder o fôlego! Destaque para a atuação impagável de Heath Ledger como o Coringa, que rendeu-lhe um Oscar póstumo. Pode-se até dizer que neste filme, Batman foi o coadjuvante.
O ser humano tem uma fixação por surpresas. Parece que fomos feitos já com esta expectativa vinda de fábrica. Estávamos bem aconchegantes e protegidos no ventre de nossa mãe, e de repente... surpresa! Nascemos. A partir daí, nossos olhos ficam sempre atentos em busca de novas surpresas.
Uma vida desprovida de surpresas acaba por gerar um tédio insuportável. Se as surpresas não vêm naturalmente, procuramos por elas. Queremos aventura. Queremos ser surpreendidos. Antes o stress provocado pela expectativa do inusitado, do que o tédio da monotonia.
Recuso-me a acreditar que o roteiro escrito por Deus para a minha vida seja cheio de clichês, de lugar-comum. Quero ter o que contar aos meus netos. Quero dar trabalho ao meu biógrafo. Quero fazer valer à pena. Então, que venham as surpresas!
E se minha vida um dia virar filme (quanta pretensão!), não quero ninguém dormindo no cinema.
Portanto, luz, câmera, ação!
Hermes Fernandes em Cristianismo Subversivo
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terça-feira, 20 de março de 2012
A lição das borboletas
Por Fábio Bauab
O fascínio aumentou quando aprendi que as borboletas são, na verdade, um segundo momento (estágio) na vida das lagartas. Achei a descoberta fantástica. A lagarta, quando chega o tempo certo, recolhe-se em seu casulo e, no isolamento total, passa pelo processo que a transforma em uma bela borboleta cuja beleza de suas cores ofusca o passado de sua existência não tão bem bela. Sim, as borboletas sempre despertaram a minha atenção.
Hoje, tenho para mim que o ser humano não é tão diferente das borboletas. Nós também estamos em um processo contínuo de metamorfose ou evolução, como diria o filósofo Huberto Rohden. Na verdade, penso que esta é a nossa sublime vocação: pensar e repensar quem de fato somos. A estagnação nos mantém na brutalidade existencial. É necessário buscar, continuamente, sermos transformados pela renovação da nossa inteligência, como aconselhou o apóstolo Paulo à igreja em Roma (Rm 12:2a).
Paulo estava certo, somente a renovação da inteligência (nous) promove a transformação (metamorfose) do ser. Neste ponto, a mensagem de Paulo e a essência da mensagem sobre arrependimento proclamada por Jesus se alinham perfeitamente. Arrepender-se é promover uma renovação da mente/inteligência.
Acredito piamente que os maiores obstáculos para alcançarmos esta vocação estão dentro de nós mesmos. Temos medo de abandonar nossas convicções e certezas, pois elas nos fazem sentir seguros. A comodidade e o conforto nos impedem de ver a nossa própria existência ganhar um novo colorido, um novo significado, uma nova beleza. Enfim, Crescemos, mas não evoluímos. Envelhecemos, mas não alcançamos maturidade existencial. Adquirimos conhecimento, mas não chegamos à verdadeira sabedoria.
Concluo esta reflexão com um pensamento de Fernando Pessoa: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.
Acho que é por isto que as borboletas sempre chamaram a minha atenção. Sinceramente, as borboletas ainda me fascinam.
Fraternalmente, Fábio Bauab.
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segunda-feira, 5 de março de 2012
Fora do AMOR não há SALVAÇÃO!
Por Hermes Fernandes
Definitivamente, somos salvos pelo Amor. Epa! Seria esta afirmação uma heresia? Afinal, não somos salvos pela Graça somente?
Antes que me tachem de herege, permitam-me expor as justificativas a esta afirmativa.
Salvação é um assunto vastíssimo. Várias questões devem ser consideradas antes de chegarmos a uma conclusão.
A primeira delas é: De quê somos salvos?
Há várias respostas possíveis, e todas estão relacionadas entre si. Mas a que resume todas é: Somos salvos de nós mesmos.
Deixamos de viver centrados em nosso próprio umbigo, para viver para Deus e para o semelhante. O resultado de uma vida auto-centrada é a ira justa de Deus. Por isso, é certo afirmar que somos salvos da ira de Deus. O combustível que alimenta as chamas do inferno é o egoísmo humano. Portanto, também é certo dizer que somos salvos do inferno. O fundamento sobre o qual os sistemas do mundo estão alicerçados é o amor próprio. Logo, também é certo dizer que somos salvos do mundo e de suas paixões.
A segunda questão igualmente importante é: Por qual meio somos salvos?
As Escrituras falam por si:
“Pois é pela GRAÇA que sois salvos, por meio da fé – e isto não vem de vós, é dom de Deus – não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef.2:8-9).
Não haveria outro meio eficiente para salvar-nos de nós mesmos, senão a Graça. Se fosse possível sermos salvos pelas obras, por exemplo, nosso orgulho se retroalimentaria, e continuaríamos cativos de nosso eu.
Mas qual é a fonte desta GRAÇA? O que faz com que Deus Se importe com gente como nós, pecadores inveterados, cheios de defeitos, dignos de sua ira santa? A resposta está bem debaixo do nosso nariz. Trata-se da mais conhecida passagem bíblica:
“Porque Deus AMOU o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo.3:16).
Portanto, a fonte de toda graça é o AMOR. O sacrifício feito na Cruz é a mais contundente prova do amor de Deus pela humanidade. Veja o que Paulo diz sobre isso:
“Mas Deus prova o seu AMOR para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm.5:8).
Não consigo entender como há gente capaz de pedir prova do amor de Deus. Não há mais nada pra se provar. Independente das lutas que tenhamos nesta vida, o amor de Deus por nós já está mais do que provado.
Sem amor, jamais haveria salvação. A graça nada mais é do que o amor de Deus em operação.
Permitam-me uma analogia: a graça é o rio de Deus fluindo por entre os homens. O amor é a fonte de onde suas águas jorram. E a fé é o canal, a calha, por onde essas águas fluem. A fé abre o caminho para que as águas do rio de Deus deságüem em nosso ser. Porém, esta fé, que também é dom de Deus, é operada pelo amor. Veja o que Paulo diz sobre isso:
“O que importa é a fé que opera pelo amor” (Gl.5:6a).
A fé dada por Deus não se articula sozinha. Sem amor, a fé seria como o leito de um rio seco.
Daí a ênfase dada por Paulo: “...ainda que eu tivesse toda a fé, de maneira que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria” (1 Co.13:2b).
Não se trata de uma fé espetaculosa, preocupada em afirmar-se. Mas de uma fé gentil e gesticulosa, que se apóia no amor ao próximo. Se tiver que remover uma montanha, será para abrir caminho para que outros passem. Uma fé que se revela mais em pequenos gestos de amor do que em grandes demonstrações de poder.
Ademais, se somos salvos por Deus, logo, somos salvos pelo Amor, porque DEUS É AMOR!
E é este amor que desloca o eixo de nossa existência, fazendo com que deixemos de viver para nós mesmos. No dizer de Paulo, “o amor de Cristo nos constrange (...) Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si...” (2 Co.5:14a-15a).
E finalmente, a última questão com que nos deparamos é: Pra quê somos salvos?
Para revelar ao mundo o amor de Deus através de nossas obras. A mesma passagem que diz que somos salvos pela graça, independente das obras, também diz que fomos "criados em Cristo Jesus para as boas obras" (Ef.2:10).
As obras não são a causa de nossa salvação, mas o resultado dela. Esta graça em nós operada deve resultar em AÇÕES de graça.
Quem quer que se atreva a declarar que está salvo, porém não age como tal, engana-se a si mesmo, e continua igualmente perdido. João arremata:
"Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte (...) Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós. E devemos dar a nossa vida pelos irmãos" (1 Jo.3:14,16).
Afirmar que é salvo não é suficiente para comprovar nada. Salvação que não resulte em amor é como achar que mergulhou num rio, e saiu de lá seco, porque o rio não passava de uma miragem no deserto.
Assentimento intelectual não basta. Passar por um ritual batismal, idem. É necessário que sejamos batizados no AMOR.
Do excelente blog do Hermes Fernandes
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sexta-feira, 2 de março de 2012
Loucos e Hereges
Por Julio Zamparetti
Ninguém quer ser chamado de louco. Também ninguém quer ser chamado de herege... à menos que seja louco! (rsrs). O problema é que temos, hoje, uma religiosidade que tem por sã doutrina uma doutrina absolutamente enferma, mas que é a doutrina da maioria e por ser da maioria é tida por certa. Qualquer pessoa que questiona, duvida ou nega esta doutrina será o herege da vez. Diante disso, muitos se acovardam e traem a própria consciência pregando o que não crêem, crendo no que não pregam e fazem de tudo, cometem as maiores contradições a fim de não serem contraditos pela maioria.
A verdade é que precisamos de loucos e hereges que sejam capazes de deixar suas sementes subversivas contra esse mundo doente de sãos e santos com sua religiosidade perfeita e morta, incapaz de acolher os loucos e hereges com os quais Cristo andou e se identificou.
Não foi a toa que Jesus foi chamado de herege (ou devo dizer blasfemo, que era o termo usado na época). Ele não andava, nem pensava, nem falava como a maioria. Muito pelo contrário, andava com os excluídos, dizia que não havia vindo para os sãos e ainda se identificou com os loucos deste mundo. Certamente isso causou grande impacto e por isso, sua vida, fez tanta diferença.
O grande impacto da vida de Cristo sobre a humanidade não se deu por causa de seus milagres, pois Deus os poderia realizar como sempre os realizara desde o princípio. Afinal, os milagres mais extraordinários estão relatados no Antigo Testamento. Também não se deu por causa de seus discursos, pois muitos grandes oradores houve antes e depois de Cristo, sem que proporcionassem tamanha repercussão. O grande impacto da vida de Cristo sobre a humanidade se deu, exatamente, por ocasião da humanidade de Jesus, na sua identificação com o fraco, o pobre, o necessitado e pecador. Um líder com tal estilo de vida contrariava – e ainda hoje contraria – todos os anseios da religiosidade, sempre estática.
Grandes homens como Galileu Galilei, Copérnico, Colombo e Einstein foram chamados de loucos. Graças as suas loucuras os sãos podem desfrutar, até hoje, dos benefícios do avanço científico oriundo de suas descobertas. Não fossem eles loucos, anormais e desmedidos o mundo ainda estaria mergulhado na idade média, também chamada de idade das trevas. Mas a iluminação só foi possível porque esses loucos desafiaram o bom senso e todo conhecimento vigente, bem como as normas e a moral de seu tempo.
Grandes homens como Pedro Abelardo, Jerônimo Savonarola, Martinho Lutero, Zwingli, João Calvino, Marthin Luther King, Dom Elder Câmera, foram chamados de hereges por que contrariaram a religiosidade de seu tempo. Não temeram as represálias nem a morte por que pior lhes seria a morte da consciência. Sabiam que alguém lhes poderia matar o corpo, mas também sabiam que suas consciências estariam eternizadas nas sementes que deixariam em seus ensinamentos e seus testemunhos de vida.
Ademais, qual o problema em ser chamado de herege por aqueles que usam os púlpitos para angariar os votos que venderam em vergonhosos conchavos? Ou por aqueles que em nome do poder religioso mandam matar colegas de ministério? O que significa ser chamado de herege por aqueles que adotam uma teologia alienante que anula o fiel e lhe impõe um jugo pesado a fim de controlar cada um de seus passos? Qual o demérito em ser conotado como herege por aqueles se acham donos da verdade e não respeitam a multiformidade da Graça de Deus expressa na diversidade religiosa e cultural? Que vergonha há em ser chamado de louco por aqueles que usam máscaras de santarrão e títulos religiosos para esconder suas taras e vícios sexuais?
Brennan Manning, em 'O Evangelho Maltrapilho', afirma que “o espírito de Caifás é mantido vivo em todos os séculos nos burocratas religiosos que condenam sem hesitação gente boa que quebrou leis religiosas ruins. (...) O espírito embotador da hipocrisia vive nos clérigos que desejam ter uma boa imagem sem serem de fato bons.”
A religião se tornou patética, motivo de escárnio, tem sido ridicularizada nas novelas, programas de humor e rodas sociais. A razão disso não é perseguição, mas a própria realidade. A realidade do que a igreja se tornou. Seus líderes querem que o povo os aceite incondicionalmente e inquestionavelmente, enquanto eles mesmos são incapazes de olhar para si e perceber o quanto precisam mudar. Fecharam seu sistema e quem dele não faz parte é tido por louco e herege. Mas se ser são e santo é fazer parte dessa maioria, terrível coisa me seria seus elogios. Enquanto Deus me conceder sanidade mental, dessa trupe não quero parte.
Isso me lembra uma nobre frase de Darcy Ribeiro: “Na Verdade somei mais fracassos do que vitórias em minhas lutas. Mas isso não importa. Horrível seria estar do lado daqueles que venceram nessas batalhas”.
Sonho com uma igreja dinâmica, capaz de constatar e contestar os problemas sociais, ambientais, familiares, religiosos e não se omitir diante deles. Uma igreja que mesmo sendo minoria é capaz de denunciar o mal, lutar pelo bem e dar sua própria vida pela Vida sem temer o que vá pensar a maioria, sem nem mesmo temer a morte.
Precisamos de novos loucos e hereges que incendeiem o mundo com fogo do qual Cristo desejou estar queimando já em seu tempo: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder” (Lucas 12:49).
ACUDA-NOS, Ó DEUS!
A verdade é que precisamos de loucos e hereges que sejam capazes de deixar suas sementes subversivas contra esse mundo doente de sãos e santos com sua religiosidade perfeita e morta, incapaz de acolher os loucos e hereges com os quais Cristo andou e se identificou.
Não foi a toa que Jesus foi chamado de herege (ou devo dizer blasfemo, que era o termo usado na época). Ele não andava, nem pensava, nem falava como a maioria. Muito pelo contrário, andava com os excluídos, dizia que não havia vindo para os sãos e ainda se identificou com os loucos deste mundo. Certamente isso causou grande impacto e por isso, sua vida, fez tanta diferença.
O grande impacto da vida de Cristo sobre a humanidade não se deu por causa de seus milagres, pois Deus os poderia realizar como sempre os realizara desde o princípio. Afinal, os milagres mais extraordinários estão relatados no Antigo Testamento. Também não se deu por causa de seus discursos, pois muitos grandes oradores houve antes e depois de Cristo, sem que proporcionassem tamanha repercussão. O grande impacto da vida de Cristo sobre a humanidade se deu, exatamente, por ocasião da humanidade de Jesus, na sua identificação com o fraco, o pobre, o necessitado e pecador. Um líder com tal estilo de vida contrariava – e ainda hoje contraria – todos os anseios da religiosidade, sempre estática.
Grandes homens como Galileu Galilei, Copérnico, Colombo e Einstein foram chamados de loucos. Graças as suas loucuras os sãos podem desfrutar, até hoje, dos benefícios do avanço científico oriundo de suas descobertas. Não fossem eles loucos, anormais e desmedidos o mundo ainda estaria mergulhado na idade média, também chamada de idade das trevas. Mas a iluminação só foi possível porque esses loucos desafiaram o bom senso e todo conhecimento vigente, bem como as normas e a moral de seu tempo.
Grandes homens como Pedro Abelardo, Jerônimo Savonarola, Martinho Lutero, Zwingli, João Calvino, Marthin Luther King, Dom Elder Câmera, foram chamados de hereges por que contrariaram a religiosidade de seu tempo. Não temeram as represálias nem a morte por que pior lhes seria a morte da consciência. Sabiam que alguém lhes poderia matar o corpo, mas também sabiam que suas consciências estariam eternizadas nas sementes que deixariam em seus ensinamentos e seus testemunhos de vida.
Ademais, qual o problema em ser chamado de herege por aqueles que usam os púlpitos para angariar os votos que venderam em vergonhosos conchavos? Ou por aqueles que em nome do poder religioso mandam matar colegas de ministério? O que significa ser chamado de herege por aqueles que adotam uma teologia alienante que anula o fiel e lhe impõe um jugo pesado a fim de controlar cada um de seus passos? Qual o demérito em ser conotado como herege por aqueles se acham donos da verdade e não respeitam a multiformidade da Graça de Deus expressa na diversidade religiosa e cultural? Que vergonha há em ser chamado de louco por aqueles que usam máscaras de santarrão e títulos religiosos para esconder suas taras e vícios sexuais?
Brennan Manning, em 'O Evangelho Maltrapilho', afirma que “o espírito de Caifás é mantido vivo em todos os séculos nos burocratas religiosos que condenam sem hesitação gente boa que quebrou leis religiosas ruins. (...) O espírito embotador da hipocrisia vive nos clérigos que desejam ter uma boa imagem sem serem de fato bons.”
A religião se tornou patética, motivo de escárnio, tem sido ridicularizada nas novelas, programas de humor e rodas sociais. A razão disso não é perseguição, mas a própria realidade. A realidade do que a igreja se tornou. Seus líderes querem que o povo os aceite incondicionalmente e inquestionavelmente, enquanto eles mesmos são incapazes de olhar para si e perceber o quanto precisam mudar. Fecharam seu sistema e quem dele não faz parte é tido por louco e herege. Mas se ser são e santo é fazer parte dessa maioria, terrível coisa me seria seus elogios. Enquanto Deus me conceder sanidade mental, dessa trupe não quero parte.
Isso me lembra uma nobre frase de Darcy Ribeiro: “Na Verdade somei mais fracassos do que vitórias em minhas lutas. Mas isso não importa. Horrível seria estar do lado daqueles que venceram nessas batalhas”.
Sonho com uma igreja dinâmica, capaz de constatar e contestar os problemas sociais, ambientais, familiares, religiosos e não se omitir diante deles. Uma igreja que mesmo sendo minoria é capaz de denunciar o mal, lutar pelo bem e dar sua própria vida pela Vida sem temer o que vá pensar a maioria, sem nem mesmo temer a morte.
Precisamos de novos loucos e hereges que incendeiem o mundo com fogo do qual Cristo desejou estar queimando já em seu tempo: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder” (Lucas 12:49).
ACUDA-NOS, Ó DEUS!
Do Blog Julio Zamparetti
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domingo, 26 de fevereiro de 2012
Pastor de mega-igreja escolhe passar férias como mendigo para "entender e sentir a dor" dos sem-teto
Podendo escolher entre tirar uns dias pra ficar com a família ou participar de alguma conferência eclesiástica, o pastor Thomas Keinath, da mega igreja Calvary Temple, passou uma semana de suas férias vivendo entre os sem-teto e mendigos de Paterson, cidade vizinha de Wayne.
Sua congregação, que fica no bairro rico de Wayne, estado de New Jersey, e reúne mais de 2000 pessoas a cada domingo, ficou surpresa quando ele anunciou que entraria "de cabeça" na experiência de abrir mão do púlpito para passar sete dias e sete noites nas ruas como um “sem teto”.
Thomas Keinath se aquecendo entre os seus amigos "sem teto"
O pastor preparando sua refeição
No período do dia, ele podia ser visto vagando pela cidade, parecendo apenas mais um homem sem ter para onde ir. À noite, ele se juntava a outros moradores das ruas, fazendo fogo em tonéis para manter-se aquecido enquanto as temperaturas caíam drasticamente. Várias vezes dormiu sob um viaduto rodeado de lixo .
Visão panorâmica do Calvary Temple
Keinath escreveu “mini-biografias”, das cerca de 50 pessoas que conheceu, numa iniciativa de não esquecer-se mais delas e de suas histórias de vida. Para o pastor, a explicação sobre o porque decidiu ter essa experiência é simples: “Eu precisava entender o que eles estavam passando, eu precisava sentir a sua dor. Como eu poderia levar ajuda ou cura para as ruas se eu não sabia quais são as necessidades dessas pessoas?”
Durante a “semana de férias” em que viveu na rua, o reverendo Keinathteve a oportunidade de pregar e orar pelos desabrigados e famintos, chegando a ter cerca de 75 ouvintes nas reuniões que promoveu nas praças. E foi nessa experiência, que ele aprendeu duras lições sobre o que as pessoas realmente pensam sobre as igrejas. “Não havia uma pessoa sequer, seja sem teto ou toxicodependente, que abertamente rejeitou a esperança que eu estava tentando oferecer”, disse.
Desde que voltou ao púlpito da Calvary, o pastor passou exortar a sua congregação e as outras da cidade a não olhar mais para os sem teto com uma atitude do tipo “tome um pouco de dinheiro ou comida e não me perturbe mais”. Seu coração audacioso, fez com que ele organizasse em janeiro deste ano de 2012 uma vigília de oração com outros pastores no parque Barbour Park, em Paterson. O tema foi “reconstruindo os muros e restaurando nossas ruas.” E por causa dessa experiência, as vans da igreja passaram a buscar e levar os sem-teto que desejam participar dos cultos dominicais. Mas isso é apenas o começo do que o pastor está chamando de “solução a longo prazo”, que inclui a construção de um centro patrocinado pela igreja que pretende “abrigar os sem-teto ao mesmo tempo ajudá-los a recuperar-se, inclusive dos vícios em álcool ou drogas”.
Rev.Thomas Keinath - antes e depois
“As pessoas têm de saber que vocês [cristãos] realmente se preocupam com elas. Isso é parte do que somos como crentes no Senhor. Minha identificação com eles derrubou muitas barreiras”, disse Keinath, que já pregou em 21 nações e entende esse como seu maior desafio.
Segundo ele, que afirma ter apoio total dos membros, a Calvary está seguindo o exemplo dado pelos cristãos de Cesaréia, quando, no início do quarto século, a cidade foi atingida por uma praga. Enquanto todo mundo estava fugindo da cidade, os cristãos ficaram para cuidar dos doentes e moribundos. Na ocasião, o historiador da igreja Eusébio escreveu: “Durante todo o dia, alguns cristãos cuidam dos moribundos e enterram os mortos. Há um número incontável de pessoas pelas ruas que não tem quem cuide delas. Enquanto isso, outros cristãos se encarregaram de alimentar os famintos”.
Empático com a causa dos desabrigados, reverendo Thomas Keinath profetiza: “Eu sinto”, como se Deus estivesse dizendo: Voltem para suas raízes. Volte para onde as pessoas estão sofrendo hoje”.
Vídeo com fotos da experiência de Thomas Keinath:
Do Tribo Coral via Hermes Fernandes
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