Certa vez Charles Spurgeon sintetizou muito bem o quê é um cristão, ele disse: “Todo cristão ou é um missionário ou é um impostor.” Uma frase radical como o evangelho.
O primeiro chamado de Jesus ao homem é a redenção. O segundo é a subversão.
Igreja e missão são sinônimos no projeto de Deus. Cristão e missionário são sinônimos nessa fase de implantação do Reino. No convite de Jesus está implícita a frase: Saia da sua zona de conforto!
Afinal foi isso o quê ele fez. Abandonou o conforto da sua glória divina para se espremer dentro uma matéria humana.
Na verdade, Jesus foi o maior missionário de todos os tempos. E ele ordenou: Sejam meus imitadores!
E missão não é algo que a igreja tem que fazer. Missão é algo que a igreja tem que ser. Não há justificativa bíblica para institucionalizar uma igreja que não seja para transforma-la em uma agência missionária. Uma igreja que se institucionaliza e passa arrecadar dinheiro tem como dever moral patrocinar missões.
E o quê é missão?
Intervenção na história! Ação, comprometimento, sacrifícios de misericórdias.
Pregar o evangelho focando unicamente em patrulhamento moral é condensar o seu poder atômico de transformação sócio cultural. O arrependa-se não se limita aos pecados morais, mas também está em mudar as lentes, tirar o foco do umbigo. Ou seja, uma igreja bíblica é uma igreja missionária.
E quem é a igreja?
Somos todos nós que declaramos Cristo como Senhor.
E o quê que estamos fazendo?
Pouco! Muito pouco! Estamos acomodados nas poltronas das igrejas, estamos traçando o nosso plano de vida, estamos fundamentando o NOSSO REINO e, de quebra, usamos o nome de Deus como um patuá para nos abençoar. Nos tornamos extremamente egoístas. Nos tornamos fariseus pós modernos, dando esmolas e apegados a uma religiosidade inútil. Uma igreja missionaria se compromete socialmente com as mazelas da sua localidade. Sem partidarismo, exercendo apenas o amor, exercendo apenas sua cidadania.
Até onde estamos indo por Jesus? Essa é uma pergunta comum quando se fala em missões, porém, eu pergunto diferente: O quê você não faria de jeito nenhum por Jesus?
Responda sinceramente essa pergunta e descubra onde está o seu coração. Descubra quem é o seu amor maior, descubra quem você idolatra em espírito e em verdade. É, seu sei. Jesus perde para o seu filho, seu cônjuge, sua carreira, seus sonhos...
A igreja não ama Jesus acima de todas as coisas, por isso, não consegue negar si mesmo e viver pelo outro. Por isso não consegue ser suficientemente relevante. E se ele não é o nosso amor maior, nunca sairemos da nossa zona de conforto, nunca seremos agentes transformadores do Reino, nunca seremos missionários, logo, continuaremos sendo impostores! Impostores brigando pela defesa do evangelho. Somos patéticos.
Precisamos resolver isso com Ele!
Essa é a pergunta de nossas vidas. Ao responde-la sinceramente, talvez descubramos que até hoje andamos mentindo para nós mesmos, e esse é o maior boicote que alguém pode fazer a si.
Então você pergunta: Como isso aconteceu? Eu mudei tanto! Eu parei com isso, eu parei com aquilo, ou então, eu nunca fiz isso, eu nunca fiz aquilo. A questão é que o evangelho não nos foi dado para fazer um patrulhamento moral, ele veio para restaurar à correta cosmovisão.
O problema é que você não aderiu o evangelho. Você aderiu ao movimento evangélico, e movimentos enganam, alienam e lobotomizam.
O movimento evangélico hoje no Brasil, infelizmente não tem mais nada a ver com o Evangelho de Jesus. É um verdadeiro sepulcro caiado. Transparece uma paz, contudo, é uma paz inerte e muda perante o império da maldade. E paz sem voz não é paz, é medo.
Buscam desesperadamente paz para seus corações e seguem admitindo toda maldade do mundo sem rebelar-se, para assim, continuarem tentando ser felizes em suas zonas de conforto.
A institucionalidade da igreja trouxe conforto e proteção, porém, com o tempo, trouxeram dúvidas para quem as viu se transformarem em prisões. Para quem as viu se transformarem em masmorras que ferem muita gente boa de Deus.
O clamor final é: Arrependa-se igreja! Vamos resgatar a unidade, a relevância dos cristãos primitivos.
Vamos nos abraçar e fazer filhos na fé e não nos limitarmos às poltronas dos dias de domingo.
Que arda o seu coração! Que o seu espírito se rebele, assim como aconteceu com o espírito de Paulo ao ver a idolatria grega, ao ver o avanço do império da maldade. Que você seja um cristão em missão na sua realidade local. Que ricos e pobres, fortes e fracos, opressores e oprimidos, possam reconhecer Jesus em você.
Que a sua alma esteja armada e apontada para a cara do sossego! Porque paz sem voz não é paz, é medo.
Não existe amor em SP Um labirinto místico Onde os grafites gritam Não dá pra descrever Numa linda frase De um postal tão doce Cuidado com doce São Paulo é um buquê Buquês são flores mortas Num lindo arranjo Arranjo lindo feito pra você
Não existe amor em SP Os bares estão cheios de almas tão vazias A ganância vibra, a vaidade excita Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel Aqui ninguém vai pro céu
Não precisa morrer pra ver Deus Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você Encontro duas nuvens em cada escombro, em cada esquina Me dê um gole de vida Não precisa morrer pra ver Deus
Eu catalogava meus arquivos de Rock Pop nacional quando dentre tantas canções me deparei com A cura, de Lulu Santos. Interessante é que o que seria um momento de pesquisa acabou se tornando uma breve devocional.
Buscando significações em A cura lembrei de quando Jesus professou: “se estes se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lc 19:40). Que afirmação contundente de Cristo!
Incrivelmente hoje há tão poucas mensagens, músicas, pregações que relatam a cerca do grande dia em que a cura definitiva para as imperfeições de muitos chegará.
No estilo de Redemption Song, como fizemos em ‘A Graça do Reggae’, mas sem discorrer historicamente sobre o pop rock de Lulu, lá vai mais um ‘herético’ (rs) post (isso, claro, para os que estão numa pandora gospel). Escute a canção, analise a letra e tire suas prórprias conclusões. A canção é ótima. Dou fé.
A CURA
Existirá,
Em todo porto tremulará
A velha bandeira da vida
Acenderá,
Todo farol iluminará
Uma ponta de esperança
E se virá,
Será quando menos se esperar
Da onde ninguém imagina
Demolirá
Toda certeza vã
Não sobrará
Pedra sobre pedra
Enquanto isso
Não nos custa insistir
Na questão do desejo
Não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noção
Na qual se crê
Que o inferno é aqui
Existirá,
E toda raça então experimentará
Para todo mal
A cura!
Porque assim como orelâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente,assimhá de ser a vinda do filho do homem.(Mt 24:27)
Quem curte o contratempo dos compassos sabe do que estou falando. Batida firme, linha de baixo solta, guitarra staccato, órgão ritmado, voz possante. Falo do Reggae, a cara da Jamaica.
Quase sempre relacionado com o ganja, o som da Xaymaca (terra dos manaciais) é evitado por alguns cristãos que o interpretam como um estilo musical lascivo, no entanto, equívocos à parte, vejo que ele tem muito a os ensinar. Ele não foi fruto de encomenda cultural, invenção de marqueteiro musical, nem tampouco tem a haver com a Som Livre, MK, Line Records ou Rick Bonadio. O Reggae representa o grito da sujeição das algemas do século XX. Ele me fascina porque faz lembrar navio negreiro, corpos lançados ao mar, sonhors de famílias destruídos, mas também liberdade, justiça, alegria e superação.
Em 1962 os jamaicanos livraram-se do julgo inglês, mas não de um legado de vioência, desemprego, miséria e analfabetismo. Ali sobrava no fim da história, um povo sofrido, carente da misericórdia de Deus e ainda ferido em nome dele.
Não poderia falar do Reggae sem citar Marcus Garvey, o primeiro jamaicano a receber o título de herói nacional, tal herói desejava levar os negros de volta para a África sob o lema "Um Deus! Uma aspiração! Um destino"! /movido por uma interpretação velho-testamentária equivocadamente aplicada a Jamaica, foi citado na canção de Steel Pulse "Whorth His Weight In Gold" (Valeu seu peso em ouro), relacionando o sentimento jamaicano com as cores da bandeira etíope: "Vermelho pelo sangue que fluiu como um rio, verde pela terra - África, amarelo pelo ouro que eles roubaram, negro pelo povo que eles roubaram".
Com um discurso político-religioso Bob Marley surge na década de 70 como o principal representante do Regge. Identificado com a ideia de redenção e liberdade para o país recém liberto da colonização, ganhou notoriedade no mundo todo e espalhou a música jamaicana por todos os lados do globo. O seu talento era inegável e seu discurso além de libertário, era forte e conquistador. Para mim uma das canções que mais chama a atenção é Redemption Song (Canção da Liberdade), e que merece de forma inadiável ser apreciada:
Sinceramente, hoje em dia quando ouço um louvor em forma de Reggae, ou quando toco tipo "Quem pode livrar como o Senhor?" (Bené Gomes) nesse estilo, penso: Será que os crentes sabem o que o Reggae significa? Sabem em que circunstâncias ele surgiu? de onde veio? Como chegou até nós? Será que pensam que ele foi invenção dos crentes?
Digo sem dúvida que as sementes do Reggae foram os escravos trazidos nos porões dos navios negreiros da África para o Caribe. E o interessante é que nessa história de sujeição, separação, imposição, escravidão, incrivelmente surge o novo, o improvável, o belo. Isso mostra que Deus rege a humanidade de uma forma extraordinária, visto que nesse caleidoscópio da Graça Divina muita coisa passa despercebida por nós diante da sua grandeza.
Deus, Maestro da música, da arte, da história! Ele, somente Ele compõe arte no meio da guerra, compõe vida em ensejos de morte, compõe misericórida em trajetória de injustiça.
Quando penso naquele grande dia o qual toda tribo, língua, povo e nação estará diante dele (Ap 5.9), me torno mais convicto ainda que as identidades culturais espalhadas pela humanidade, embora rabiscadas pelo pecado, são traços criativos de Sua Graça. Portanto pessoal, louvemos a Ele através do Reggae. Viva a Graça Comum.