sexta-feira, 2 de março de 2012

Loucos e Hereges


Por Julio Zamparetti

Ninguém quer ser chamado de louco. Também ninguém quer ser chamado de herege... à menos que seja louco! (rsrs). O problema é que temos, hoje, uma religiosidade que tem por sã doutrina uma doutrina absolutamente enferma, mas que é a doutrina da maioria e por ser da maioria é tida por certa. Qualquer pessoa que questiona, duvida ou nega esta doutrina será o herege da vez. Diante disso, muitos se acovardam e traem a própria consciência pregando o que não crêem, crendo no que não pregam e fazem de tudo, cometem as maiores contradições a fim de não serem contraditos pela maioria.

A verdade é que precisamos de loucos e hereges que sejam capazes de deixar suas sementes subversivas contra esse mundo doente de sãos e santos com sua religiosidade perfeita e morta, incapaz de acolher os loucos e hereges com os quais Cristo andou e se identificou.

Não foi a toa que Jesus foi chamado de herege (ou devo dizer blasfemo, que era o termo usado na época). Ele não andava, nem pensava, nem falava como a maioria. Muito pelo contrário, andava com os excluídos, dizia que não havia vindo para os sãos e ainda se identificou com os loucos deste mundo. Certamente isso causou grande impacto e por isso, sua vida, fez tanta diferença.

O grande impacto da vida de Cristo sobre a humanidade não se deu por causa de seus milagres, pois Deus os poderia realizar como sempre os realizara desde o princípio. Afinal, os milagres mais extraordinários estão relatados no Antigo Testamento. Também não se deu por causa de seus discursos, pois muitos grandes oradores houve antes e depois de Cristo, sem que proporcionassem tamanha repercussão. O grande impacto da vida de Cristo sobre a humanidade se deu, exatamente, por ocasião da humanidade de Jesus, na sua identificação com o fraco, o pobre, o necessitado e pecador. Um líder com tal estilo de vida contrariava – e ainda hoje contraria – todos os anseios da religiosidade, sempre estática.

Grandes homens como Galileu Galilei, Copérnico, Colombo e Einstein foram chamados de loucos. Graças as suas loucuras os sãos podem desfrutar, até hoje, dos benefícios do avanço científico oriundo de suas descobertas. Não fossem eles loucos, anormais e desmedidos o mundo ainda estaria mergulhado na idade média, também chamada de idade das trevas. Mas a iluminação só foi possível porque esses loucos desafiaram o bom senso e todo conhecimento vigente, bem como as normas e a moral de seu tempo.

Grandes homens como Pedro Abelardo, Jerônimo Savonarola, Martinho Lutero, Zwingli, João Calvino, Marthin Luther King, Dom Elder Câmera, foram chamados de hereges por que contrariaram a religiosidade de seu tempo. Não temeram as represálias nem a morte por que pior lhes seria a morte da consciência. Sabiam que alguém lhes poderia matar o corpo, mas também sabiam que suas consciências estariam eternizadas nas sementes que deixariam em seus ensinamentos e seus testemunhos de vida.

Ademais, qual o problema em ser chamado de herege por aqueles que usam os púlpitos para angariar os votos que venderam em vergonhosos conchavos? Ou por aqueles que em nome do poder religioso mandam matar colegas de ministério? O que significa ser chamado de herege por aqueles que adotam uma teologia alienante que anula o fiel e lhe impõe um jugo pesado a fim de controlar cada um de seus passos? Qual o demérito em ser conotado como herege por aqueles se acham donos da verdade e não respeitam a multiformidade da Graça de Deus expressa na diversidade religiosa e cultural? Que vergonha há em ser chamado de louco por aqueles que usam máscaras de santarrão e títulos religiosos para esconder suas taras e vícios sexuais?

Brennan Manning, em 'O Evangelho Maltrapilho', afirma que “o espírito de Caifás é mantido vivo em todos os séculos nos burocratas religiosos que condenam sem hesitação gente boa que quebrou leis religiosas ruins. (...) O espírito embotador da hipocrisia vive nos clérigos que desejam ter uma boa imagem sem serem de fato bons.”

A religião se tornou patética, motivo de escárnio, tem sido ridicularizada nas novelas, programas de humor e rodas sociais. A razão disso não é perseguição, mas a própria realidade. A realidade do que a igreja se tornou. Seus líderes querem que o povo os aceite incondicionalmente e inquestionavelmente, enquanto eles mesmos são incapazes de olhar para si e perceber o quanto precisam mudar. Fecharam seu sistema e quem dele não faz parte é tido por louco e herege. Mas se ser são e santo é fazer parte dessa maioria, terrível coisa me seria seus elogios. Enquanto Deus me conceder sanidade mental, dessa trupe não quero parte.

Isso me lembra uma nobre frase de Darcy Ribeiro: “Na Verdade somei mais fracassos do que vitórias em minhas lutas. Mas isso não importa. Horrível seria estar do lado daqueles que venceram nessas batalhas”.

Sonho com uma igreja dinâmica, capaz de constatar e contestar os problemas sociais, ambientais, familiares, religiosos e não se omitir diante deles. Uma igreja que mesmo sendo minoria é capaz de denunciar o mal, lutar pelo bem e dar sua própria vida pela Vida sem temer o que vá pensar a maioria, sem nem mesmo temer a morte.

Precisamos de novos loucos e hereges que incendeiem o mundo com fogo do qual Cristo desejou estar queimando já em seu tempo: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder” (Lucas 12:49).

ACUDA-NOS, Ó DEUS!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Robinson Cavalcanti que levo na memória

"E ele designou alguns para mestres"

Efésios 4.11
 
Por Alexandre Brasil Fonseca

Mais de 20 anos se passaram quando eu, saindo da adolescência, recebi Robinson Cavalcanti em minha casa. Não sei ao certo o porquê, nem pra quê ou como ele foi parar ali. Imagino que tenha relação com o meu envolvimento com a ABU. Lembro da minha mãe, que conheceu muita gente, mas que sempre se lembrava dessa visita em particular.
Comentava comigo sobre a simpatia dele, naquela época pastor e professor, e que sentado no sofá de nossa sala pediu um “digestivo” após o almoço. Também falava de seu jeito cativante e da conversa fácil e agradável que ele tinha.


Robinson teve relação direta com a opção que fiz por cursar ciências sociais. Lia e admirava algumas pessoas; e ao perceber que estas tinham formação em Ciências Sociais, me dei conta que este era o curso que eu deveria fazer. Robinson foi uma delas e a influência dele na minha vida se deu em diversos momentos e espaços. Lembro de como buscava ouvi-lo, das conversas, e depois das diferentes oportunidades que tivemos de estar juntos em eventos da ABU, MEP, FTL, CLADE ou ainda no comitê dos “Evangélicos Pró-Lula”.

Nessas andanças e encontros, lembro-me de uma época que Robinson vinha anualmente ao Rio de Janeiro para pregar numa igreja avivada, com manifestações que iam bem além do “neopentecostalismo erótico de esquerda” à que aludia. Aquele ambiente bem diferente não o afastava e cada ano ele retornava para compartilhar. Isso porque, de fato, ele cria num evangelho de libertação que tinha poder de libertar e transformar a sociedade. Mas ele também cria num evangelho de poder que era capaz de “curar dor de dente e nos afastar de vizinhos chatos”. Um evangelho integral que estava presente em nosso cotidiano e em nossa vida, com diversas formas de manifestações e com uma tremenda riqueza que vai muito além das amarras que teimamos em colocar.

Robinson assumiu posturas firmes e contundentes em diferentes momentos de sua vida, vivendo situações como a de seu desligamento da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Ele não hesitou em se posicionar, defender suas ideias e a disputar espaços. Isso o levou a assumir importante liderança entre os da Teologia da Missão Integral da Igreja e, mais recentemente, essa mesma postura aguerrida o afastou de muitos que no passado eram próximos e que discordaram de algumas posições e atitudes que ocorreram em torno das discussões sobre a “inclusividade ilimitada” e que redundaram nesse desvinculamento com a igreja brasileira e posterior filiação a Igreja Anglicana da América do Norte.

Robinson foi um desbravador em searas que muitos temiam navegar: política, sexualidade, inserção político-partidária, participação sindical, política e vida acadêmica, política eclesiástica... Ele tinha uma dedicação e desprendimento invejáveis. Estava presente e participava. Até bem recentemente era para ele uma obrigação a participação para além do tempo da sua fala em eventos que ia como preletor. Gostava de estar presente, de ouvir e perceber as outras vozes. Era muito centrado nele e no que defendia, mas tinha, no mínimo, a curiosidade do cientista social em relação ao outro. E, acima de tudo, tinha a sensibilidade — como excelente orador — de efetivamente interagir com os seus ouvintes.

Nos últimos anos, como Bispo, sua agenda e obrigações eram maiores e com isso ficava menos tempo do que gostaria nos eventos. Nunca sem manifestar sua insatisfação em “ter que sair”. No tempo que ficava, era comum vê-lo conversando e interagindo com todos. Seja nas filas, nas mesas, nos corredores. Esse ethos que a ABU lhe conferiu, da importância da relação e do encontro, ele teimava em não abrir mão. Não era uma estrela distante ou um preletor especial; era bom de papo, acessível e sempre disposto ao encontro; isso mesmo com as vestes litúrgicas que orgulhosamente utilizava, acompanhadas de engraçadas explicações que apresentava para justificá-las.

Lembro desse Robinson que foi um dos primeiros evangélicos a ter uma militância acadêmica nas Ciências Sociais e a interagir sua fé com uma postura crítica e propositiva para a Universidade brasileira. Robinson foi professor, membro dos colegiados superiores, coordenador de pós-graduação stricto sensu e Diretor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPE. Uma importante referência para alguns professores e professoras que hoje navegam na seara das Ciências Sociais das universidades brasileiras.
Faço parte de uma geração que foi formada ouvindo e lendo o Robinson e que hoje ocupa diferentes posições na carreira acadêmica, a partir das Ciências Sociais. Diante desta morte absurda e prematura, eu me pergunto quais de nós teremos o desprendimento e a dedicação que Robinson teve para conosco? Quais de nós teremos a entrega e o envolvimento para ouvir e compartilhar pensamentos e ideias com as novas gerações? O legado que Robinson nos deixou não pode ser esquecido e vejo este momento como aquele em que os que tiveram o privilégio de ouvir e aprender com Robinson assumam de forma consciente e comprometida a necessidade de experimentarmos um maior e mais efetivo envolvimento. Isso numa época em que as comunicações são mais acessíveis e que o processo de produção e divulgação de textos e ideias ganhou contornos como nunca antes imaginados.

Nós, os muitos que leram, riram e se inspiraram nas ideias e ações de Robinson; nós, que muitas vezes concordamos e outras tantas discordamos de Robinson, não podemos negar o papel de profeta que ele desempenhou no seio da igreja evangélica, não só no Brasil, mas também na América Latina e no mundo por meio de seu envolvimento com o Movimento de Lausanne. Esse papel precisa ter continuidade; há uma tarefa para a qual somos chamados, pois como nos lembra o texto bíblico “não havendo profecia, o povo perece” (Provérbios 29:18). Meu desejo é que diante da estúpida morte de Robinson Cavalcanti possamos presenciar a proliferação de mais e mais profetas que vivam para, como ele defendeu, “criar o novo, o diverso, o plural” (1).

Profetas que se levantarão contra igrejas evangélicas que são “aparelhos ideológicos da ordem capitalista, promotoras de valores burgueses, guardiãs das tradições, instrumentos de controle social, reprodutoras de interesses imperialistas, justificadoras da injustiça e da exploração, repressoras dos dissidentes” (2). Para fazer frente a estas igrejas, Robinson via que “alguma esperança passa, preferencialmente, por obreiros não-remunerados, com treinamento acadêmico nas Ciências Sociais, por teólogos que incorporam a psicologia, a antropologia cultural, por pastores, seminaristas e leigos integrados aos sindicatos, aos partidos, aos movimentos populares comunitários, ecológicos, pacifistas...” (3). Estas foram frentes que Robinson viveu e experimentou intensamente. A solução que ele via, foi o que ele buscou viver, tendo a preocupação de manter viva e constante as oportunidades de influenciar, proclamar e denunciar.
A vida de Robinson representa um grande exemplo. Ele termina o relato de sua peregrinação teológica, escrita em 1990, afirmando que “deixou as coisas de menino” (1 Coríntios 13:11). O mesmo Paulo de 1 Coríntios, ao escrever para os efésios, volta a este tema e fala da necessidade de assumirmos nosso papel na comunidade de fé, de atuarmos pela unidade da Igreja, esperando que alguns sejam mestres. Isso se faz necessário para que, na linguagem d'A Mensagem, de Eugene Peterson (Efésios 4.14-15), entendamos que “chega de ser criança. Não dá para tolerar gente ingênua, bebezinhos que são alvos fáceis dos impostores. Deus quer que cresçamos, conheçamos toda a verdade e a proclamemos em amor — à semelhança de Cristo, em tudo”.

Diante das violentas mortes de Robinson Cavalcanti e de Miriam Cavalcanti, desejo que suas vidas e exemplos sirvam como estopim que desperte em nós uma postura atenta de serviço e de exercício dos dons que Deus nos deu, tendo como referência a unidade da Igreja na busca de uma sociedade justa e igualitária.

Notas:
(1) Cavalcanti, R. A peregrinação teológica de Robinson Cavalcanti. Boletim Teológico, 5 (14), mar/1991, p. 29-37.


(2) Cavalcanti, 1991.

(3) Cavalcanti, 1991.

Alexandre Brasil doutor em sociologia pela USP e coordenador da Rede Fale publicado em Novos Diálogos

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

#ChuvasNoAC Como Ajudar?

Foto: Sérgio Vale/Secom

Por Edmilson Ferreira (Assessoria PMRB)
Ribeirinhos sofrem com a
enchente do Rio Acre (Marcos Vicentti)
Navegar pelo Rio Acre nos dias atuais é testemunhar tempos de sofrimento para as comunidades ribeirinhas desde a foz, nas pequenas vilas de Tahuamanu (departamento de Madre de Dios), no Peru, até a cidade amazonense de Boca do Acre. Da nascente até a desembocadura, são 1.119 quilômetros, e é nos maiores municípios, como Rio Branco, que os estragos provocados pelas enchentes mostram a real dimensão do flagelo vivido pelos milhares de pessoas que escolheram as margens do manancial para morar e trabalhar. Da cidade até a comunidade do Catuaba, grandemente afligida pela cheia, são cerca de vinte quilômetros pelo ramal Belo Jardim – transformado pela força da Natureza em braço do rio por onde ao invés de carro transitam canoas movidas a remo ou motor rabeta. Pelo rio, leva-se 45 minutos descendo e uma hora subindo para fazer esse trajeto.

Enquanto se percorre a zona urbana de Rio Branco, a visão é desoladora: reservatórios de água submersos, torres de energia elétrica ameaçadas, margens desbarrancando e muitas casas ameaçadas. Há regiões em que o rio avançou mais de um quilômetro além de seu leito. A situação parece piorar à medida em que se avança para a área rural: ramais estão debaixo da água, os roçados já apodreceram quase tudo e as perdas, já não há mais dúvida, se avolumam a cada centímetro que o rio sobe. As fruteiras e culturas permanentes vão se perdendo. “Estamos na safra do cajá, fruta que representa uma renda a mais para estes produtores. Eles podem faturar até um salário mínimo neste período mas, com a cheia, deixaram de ganhar esse dinheiro”, observou Jorge Rebolças, diretor da Secretaria de Floresta e Agricultura de Rio Branco (Safra).

No começo da semana a Secretaria divulgou um relatório mostrando que os produtores acumulam prejuízo de cerca de R$ 12,4 milhões com perdas totais nas lavouras de mandioca, banana, grãos e frutas. Das 16 comunidades hoje afetadas, todas estão recebendo ampla ajuda pública em cestas básicas, combustível, transporte, água potável e hipoclorito de sódio para tratamento de água.

No começo da semana a Secretaria de Floresta e Agricultura de Rio Branco divulgou um relatório mostrando que os produtores acumulam prejuízo de cerca de R$ 12,4 milhões (Marcos Vicentti)


No começo da semana a Secretaria
de Floresta e Agricultura de Rio Branco
divulgou um relatório mostrando que os
produtores acumulam prejuízo de cerca
de R$ 12,4 milhões (Marcos Vicentti)
Apesar de ser considerável, o valor será ainda mais elevado quando for levantado o prejuízo com ramal e infraestrutura e perdas mobiliárias. Para fazer o relatório, os técnicos da Safra percorreram as comunidades do Bagaço, Água Preta, Barro Alto, Belo Jardim I, 2 e 3, Benfica Ribeirinho, Catuaba, Extrema, Liberdade, Limoeiro, Moreno Maia, Moreno Maia, Barro Alto e Água Preta conversando com lideranças, moradores antigos e presidentes de associações.

Criação de peixe completamente perdida

Produtor que trabalhava com piscicultura perdeu tudo. É o caso de Raimundo Inácio da Silva, morador da comunidade Extrema, que além das estimadas 5 mil covas de macaxeiras perdidas, acumula sérios prejuízos com a piscicultura. “Cerquei os tanques com tela, mas não teve jeito: a água veio e levou tudo”, lamenta ele, que foi inscrito como beneficiário de cestas básicas para ajudar na sobrevivência da família enquanto dura o flagelo.

Produtores não desanimam

A família do Seu Oliveira, na comunidade Liberdade, trabalha na produção de goma de macaxeira mesmo com seus pertences alagados (Marcos Vicentti)

A família do Seu Oliveira, na comunidade
Liberdade, trabalha na produção de goma de
macaxeira mesmo com seus pertences
alagados (Marcos Vicentti)
Mas o ribeirinho é forte. A família do Seu Oliveira, na comunidade Liberdade trabalha na produção de goma de macaxeira mesmo com seus pertences alagados. A maioria dos 16 filhos do Seu Oliveira está mobilizada em aproveitar ao máximo o macaxeiral que é a base de sustentação econômica da família. Em tempos normais, a produção da Colônia Paraíso, de 107 hectares, chega a cinco toneladas de goma por semana. “Nossa terra é grande e a gente está correndo para não perder a produção”, disse Leonardo Souza Oliveira. Os moradores que permanecem em suas casas (muitas famílias estão abrigadas nas escolas da região) sofrem com o corte de energia elétrica, procedimento adotado pela Eletrobras por questões de segurança. Os moradores pedem que os cortes sejam seletivos, que atinjam casas que tiveram de ser abandonadas e colônias que não tenham agroindústria.

Lideranças locais coordenam distribuição de benefícios

Em Rio Branco, o esforço concentrado dos governos estadual e federal, e da Prefeitura, ao menos diminuem os problemas das famílias que perderam tudo com a cheia –e são os líderes que estão controlando a distribuição de cestas básicas. Cícero Medeiros Brandão, o Pita, fez questão de agradecer o empenho da Prefeitura e do Governo do Estado no trabalho de amenizar o drama dos ribeirinhos. “Todos precisam, mas há agricultores que precisam mais”, disse Pita.

Pita ajudou no atendimento à família de Raimundo Afonso, no Catuaba. Além de receber a cesta básica, Afonso pediu material para curativo. Ele mostrou o pé enfaixado após ferir-se com um pau enquanto operava a motosserra. Com isso, Jorge Rebolças, da Safra, irá pedir que outras secretarias, como a de Saúde, se integrem ao trabalho de atendimento aos ribeirinhos.


Saiba como ajudar as vítimas da enchente

Os dados para depósitos ou transferência são:
Banco do Brasil
Agência: 0071-X
Conta corrente: 100.000-4
CNPJ: 14.346.589/0001-99
Caixa
Agência: 3320 – Estação Experimental
Operação: 006
Conta: 71-7
CGC: 63.608.947/0002-80

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Luto - Dom Robinson Cavalcanti 1944 - 2012


O protestantismo brasileiro está de luto, foi com grande pesar que recebemos a notícia do falecimento do Reverendíssimo Bispo da Diocese Anglicana do Recife Dom Edward Robinson Cavalcanti e de sua esposa Miriam Cavalcanti, ocorrido na noite do dia 26/02/12.

Pequena Biografia:

   Dom Edward ROBINSON de Barros CAVALCANTI, nasceu no Recife-PE, em 21 de Junho de 1944. Aos três anos de idade se mudou para a cidade de União dos Palmares, em Alagoas, onde estudou até o Curso Ginasial, onde seu pai, Edward Lopes Cavalcanti, era empresário e político, e onde participou, como criança e adolescente da Paróquia de Santa Maria Madalena, e da política estudantil. Nessa época passou, ocasionalmente, a freqüentar sessões kardecistas (religião da família do seu pai) e a ser evangelizado por amigos evangélicos.

 Em 1960 foi para o internato do Colégio Evangélico Presbiteriano XV de Novembro, em Garanhuns-PE, fazer o 1º ano do 2º grau. Em 21 de abril daquele ano aceitou a Jesus Cristo como único Senhor e Salvador. Em 1961 regressou ao Recife, para viver com seus avós paternos, e continuar o seus estudos no Colégio Nóbrega, - católicos jesuítas- onde se envolve com estudos teológicos de cunho católico.

 No início de 1962 desvincula-se da Igreja Romana e do Espiritismo Kardecista e concluiu o Curso Clássico e o Curso de Língua e Cultura Hispânica. Em 31 de outubro de 1963 (Dia da Reforma) foi confirmado na Igreja Evangélica Luterana do Brasil.

De 1963 a 1966 cursou Licenciatura em Ciências Sociais na Universidade Católica de Pernambuco (dos Jesuítas), e Língua Inglesa, na Sociedade Cultural Brasil-EEUU. De 1963 a 1967 cursou, simultaneamente, o Bacharelado em Direito na Universidade Federal de Pernambuco, participou da política estudantil, integrando o Diretório Acadêmico“Demócrito de Souza Filho”, da Faculdade de Direito, e do Teatro Universitário. Ingressou na ABU (Aliança Bíblica Universitária).

Fez estágio no Departamento de Ciências Sociais da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.Iniciou sua vida como Advogado, Assessor da ABU (10 anos) e professor nos Colégios Agnes Erskine (Presbiteriano), Americano Batista e Sagrado Coração Eucarístico de Jesus. Optou pela carreira universitária, como professor de Ciência Política, na Faculdade de Filosofia do Recife (FAFIRE, das Irmãs de Santa Dorotéia), Seminário Presbiteriano do Norte, Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Em 1974-1975 cursou o Mestrado em Ciência Política no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, da Universidade Cândido Mendes, defendendo (como denominada então), a tese: ”Alagoas – a Guarda Nacional e as Origens do Coronelismo”. Foi Evangelista e Candidato ao Ministério na IELB.Participou da fundação (1970) da Fraternidade Teológica Latino-americana (FTL), onde integrou, por sete anos, a sua Comissão Executiva. Integrou, também, a Comissão de Convocação do Congresso de Lausanne (1974), e a Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial (LCWE), por quatro anos, bem como a Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial (LCWE), na Unidade “Ética e Sociedade”.

Filiou-se aos Gideões Internacionais e ao Rotary Club. Passou a colaborar como articulista na imprensa escrita. Por 10 anos escreveu a coluna dominical “Evangelismo” no Jornal do Commércio, e, por dois anos a coluna “Panorama Evangélico”, do Diário da Noite. Escreveu, por cinco anos, para a revista Kerygma (São Paulo), e foi o mais antigo colaborador da revista Ultimato.

Foi presidente da ASAS, ONG de apoio aos portadores de HIV/AIDS. Participou da campanha do “Parlamentarismo” e da campanha pelo “Fora Collor”. Por cinco anos, integrou o NIES – Núcleo Interdisciplinar de Estudo sobre a Sexualidade da UFPE, participando de debates sobre o tema em várias instituições, inclusive defendendo, como convidado, a posição ortodoxa da Igreja, na Semana Cultural do “V Congresso Brasileiro de Homossexuais”. Compatibilizando a defesa da Ética Bíblica com a defesa da Cidadania, integrou o grupo de pastores evangélicos que subscreveu o manifesto de apoio a Emenda Marta Suplicy (direitos patrimoniais e previdenciários). Definindo-se como um democrata, nacionalista, federalista, regionalista, municipalista, parlamentarista, defensor de uma Sociedade Solidária e de uma Economia pós-Capitalista, inspirada nos valores judaico-cristãos, participou de um sem número de movimentos em defesa da Justiça Social, sempre encarando tal participação como expressão de um ministério profético.

Ao todo são mais de 1.000 artigos sobre Teologia e Ciência Política, publicados no Brasil e no Exterior. Atuou, também, na rádio e na televisão, em programas religiosos e políticos, passando a dar conferências no país e no exterior, principalmente na área de Ética Social. Como convidado do Governo, pregou no Culto Semanal dos Deputados, na Capela do Parlamento da Suécia.


Foi candidato a Deputado Estadual, em 1982, pela oposição ao Regime Militar (e membro do Diretório Municipal do PMDB do Recife), e participou das campanhas pela Anistia e pelas ‘Diretas Já’.
Escreveu os livros:

01) Cristo na Universidade Brasileira;
02) O Cristão, Esse Chato;
03) Uma Bênção Chamada Sexo;
04) As Origens do Coronelismo;
05) Igreja – Agência de Transformação Histórica;
06) Igreja – Comunidade da Liberdade;
07) Libertação e Sexualidade;
08) Cristianismo e Política;
09) A Utopia Possível;
10) A Igreja, o País e o Mundo;
11) Igreja – Multidão Madura;
12) Reforçando as Trincheiras;
13) Anglicanismo – Identidade, Relevância, Desafios

O legado e a relevância de Dom Robinson Cavalcanti para igreja Brasileira



LUTO! A Igreja de Cristo, que está no Brasil, perdeu um de seus maiores profetas: Robinson Cavalcanti, bispo anglicano, um dos maiores propagadores da Teologia da Missão Integral, um dos pioneiros na conscientização sobre a ação pública da Igreja de Cristo.

Todos, principalmente, os que militamos por uma Igreja relevante para a sociedade, temos uma dívida para com Robinson Cavalcanti, e lamentamos profundamente a perda dele e de sua esposa Miriam, também, vítima da violência que ceifou a vida desse representante maior do Evangelho de Cristo, na América Latina. (Escreveu Ariovaldo Ramos em seu Twitter) 

Certa vez Robinson Cavalcanti disse: “A vida passa rápido. Não é sua duração o mais importante, mas a capacidade de transformá-la em algo significativo”

Dom Robinson Cavalcanti ficará para sempre na história da protestantismo brasileiro, Cavalcanti através de sua bibliografia nos deixou um legado e através de sua história de vida nos serve de inspiração. 

Com Edward Robinson Cavalcanti que comecei a aprende o caráter social e político do cristianismo, foi e é como gente como Robinson Cavalcanti, John Stott e René Padilla (teólogos) que aprendi e aprendo essa "contracultura" que tem como marca buscar primeiro reino e a sua justiça de Deus. 

Foi-se Dom Robinson Cavalcanti, homem ilustre, pensador refinado, ativista e militante incansável na causa do Reino, um servo fiel de caráter ilibado.
Seu nome já ficou marcado na galeria dos heróis da fé do Brasil e da América Latina.